quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

SOBRE OS EUFEMISMOS

*Eufemismo: é uma figura de linguagem que emprega termos mais agradáveis para suavizar uma expressão.


Particularmente, eu gosto dos eufemismos, mas isso é algo relativamente recente. 
Creio que seja fruto do amadurecimento.
Quando era mais jovem, achava que usar termos mais brandos era “coisa de gente hipócrita” ou de pessoas que não tem coragem de admitir a verdade.
Eufemismos podem ser perigosos quando utilizados de maneira incorreta, mas sem dúvida são bem mais eloqüentes.
Posso dizer: “Eu matei aquele infeliz” ou dizer “privei aquela pessoa de sua vida vazia e sem felicidade” (fica parecendo até que eu fiz um favor). Mesmo que utilizando palavras mais leves, algo não muda no meu exemplo: cometi um crime; sou uma assassina.
Acho que é necessário em certos momentos ser “curta e grossa”, mas este tipo de situação é minoria. Na maioria das vezes, é bem melhor utilizar palavras mais amenas; geralmente elas causam melhor impressão, causam menos mal entendidos e ferem menos.
Já ouvi pessoas com patologias psiquiátricas utilizarem o termo “eu sou doente mental”. Bem, isso não é errado, mas acho esse termo muito pesado.
Inclusive me questionaram uma vez, porque eu me refiro a estas pessoas como “portadoras de patologias psiquiátricas” e não pura e simplesmente doentes mentais. Este termo, embora correto, é muito estigmatizante, como já disse, acho pesado, acho que fere... acho que é feio mesmo!
Se você tivesse uma empresa e precisasse escolher entre dois candidatos a uma vaga, qual você escolheria: o doente mental ou o portador de uma patologia psiquiátrica?
Para mim os eufemismos são muito importantes na psiquiatria...
Portadores de patologias psiquiátricas na maioria das vezes têm algo em comum: são pessoas fragilizadas e mergulhadas em um quase constante  conflito interno. Muitas vezes são indivíduos sensíveis que têm uma alma ferida. Quanto às familias, muitas vêzes elas estão cansadas, tristes, perdidas... Para que então, causar um sofrimento maior ainda sem necessidade?
Usar termos duros nestes casos, seria como enfiar o dedo em uma ferida diariamente, achando que ela assim iria cicatrizar mais rápido.
Claro que em certos momentos estas pessoas precisam de palavras mais duras e enfáticas (assim como todos nós), mas isso não deve ser regra.
As mensagens podem ser muito claras e objetivas sem serem duras e ríspidas, e isso é algo que requer prática e amadurecimento. Ter o hábito da leitura também é um importante aliado na hora de “escolher as melhores palavras”. Mas sem dúvida, o eufemismo é uma arte que brota do amadurecimento, da empatia e acima de tudo, da paciência.
Ser eufemista é ser sábio!!! É quase uma filosofia de vida!
O sábio eufemista não aponta defeitos ou falhas, ele faz com que a pessoa entenda que não tomou a decisão correta, e por isso, sofrerá as conseqüências de sua escolha errada. 
Ele não diz que a pessoa não tem solução e nunca vai aprender. Ele dá oportunidade para que o indivíduo perceba seus  repetidos erros, fazendo com que a necessidade de mudança nasça por si só (sim, eu sei que nem sempre isso acontece, mas vale a pena lutar).
“Ser sábio é aprender usar cada dor como uma oportunidade para aprender lições, cada erro como uma ocasião para corrigir rotas, cada fracasso como uma chance para ter mais coragem.” (Augusto Cury)
Alguns podem achar que sou hipócrita, e que tento esconder a verdade com as palavras suaves, mas a meu ver, creio que na maioria das vezes a verdade pode ser mostrada, elucidada, e não “esfregada na cara”.


Um comentário:

Hamires Cristine disse...

Eu concordo e assino embaixo. Fez-me lembrar de algumas vezes em que as pessoas me perguntaram:

"O que são essas marcas nos seus braços? Foi acidente?"

E respondi:

"Bem... foi um acidente emocional."

As pessoas entendem facilmente quando eu digo isto, e costumam compreender talvez até melhor o contexto todo, pois não dizem coisas que dizem quando eu digo simplesmente "Fui eu quem fiz. Me cortei.", e, particularmente, eu não gosto de mentir sobre os meus cortes, mesmo porque... quem é que acredita que isto foi um acidente de carro ou coisa do tipo? Está na cara! São muito 'arquitetados' para ser um acidente.

De qualquer forma, quando eu digo diretamente que fui eu que fiz, as pessoas parecem entender ainda menos o contexto, dizendo "puxa, mas por que vc faz isso? você é tão bonita, tão jovem, tão inteligente", e por aí vai.

Só pra explicar, eu tenho TPB.