sábado, 19 de novembro de 2011

DEPENDÊNCIA QUIMICA



O PODER DE FAZER ESCOLHAS


Todos nós temos o direito de fazer escolhas.
Esse direito é considerado, por muitos, um dos mais fundamentais que uma sociedade pode oferecer.
Este tem sido um dos pilares dos movimentos sociais e políticos que o Brasil vivenciou nos últimos 20 anos: O DIREITO DE FAZER ESCOLHAS.
Mas existe real escolha quando não se tem informação?
Em que devem ser pautadas nossas decisões? Em preconceitos e mitos sobre determinados assuntos ou em fatos científicos e estatísticas bem feitas?
Porque a escolha que se baseia em “achismo” pode nos induzir ao erro, ela pode tornar-se uma manipulação travestida de escolha.
Além disso, as escolhas são muito pessoais. O que pode ser bom para um, pode ser ruim para o outro. Somos diferentes; temos histórias de vidas diferentes, experiências, expectativas e visões do mundo diferentes. Fisicamente e fisiologicamente também não somos iguais. O que é mortal para uns, pode ser inofensivo para outros.
Particularmente no que se refere às drogas, os efeitos variam de pessoa para pessoa, já que  esta ação depende basicamente de três fatores: da droga, do usuário e do meio ambiente.
Mas qual a melhor decisão? Arriscar no “comigo isso não acontece” ou evitar riscos? Bem, esta é uma decisão pessoal.
É importante que todos nós possamos exercer nosso direito de saber a verdade dos fatos numa área dominada por crenças e preconceitos, e assim, decidir de forma racional e bem embasada, qual decisão tomar.


Para facilitar a compreensão, a postagem sobre o uso de drogas no Brasil será dividida em duas partes:
- Na primeira, serão apresentados dados sobre a dependência química no Brasil.
- Na segunda (que será segmentada em diferentes postagens), serão apresentadas algumas drogas ilegais de maior consumo no Brasil e o álcool.


DADOS SOBRE A DEPENDÊNCIA QUÍMICA NO BRASIL


Em junho deste ano, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) divulgou um documento que reúne dados estatísticos e análises de tendência sobre a situação do mercado das drogas ilegais em todo o mundo.
Segundo o último relatório da ONU, o Brasil está entre os países que mais consome drogas no mundo, sendo o maior consumidor entre as Américas do Sul, América Central e Caribe.



COCAÍNA

Só no país, são mais de 900 mil usuários de cocaína.
Entre estudantes universitários no Brasil, a prevalência anual do uso de cocaína foi de
3% dos estudantes de 18 a 35 anos. O uso de cocaína foi muito menor entre estudantes mulheres que entre homens.
Um preocupante relatório publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em edição de julho de 2009, trouxe um alerta importante para a saúde pública: o aumento do número de casos femininos internados por uso de cocaína no Estado de São Paulo. O número cresceu incríveis 91%!
É evidente que o mercado global de cocaína tem sofrido abalos com os esforços internacionais no combate à droga, porém isso tem gerado um grande impacto social dos crimes relacionados a drogas, o que revela a importância de se trabalhar paralelamente saúde e segurança pública.



ECTASY

Se por um lado, o consumo de drogas como Cocaína e Maconha tem o número de usuários tendendo à estabilização, ou até ao declinio em alguns países, por outro lado, houve um aumento no uso e na produção de drogas sintéticas (anfetaminas, metanfetamina e ecstasy) nos países em desenvolvimento.
Um dado curioso revelado pelo relatório do UNODC é que para essas drogas, há uma inversão do mercado: enquanto os maiores produtores são países desenvolvidos, são os países em desenvolvimento que vem registrando uma tendência de maior consumo ao longo do tempo. 
No Brasil, a prevalência anual do uso de “ecstasy” segundo pesquisa nacional feita entre estudantes universitários em 2009 foi de 3,9%, claramente excedendo estimativas do UNODC para populações em geral, em torno de 0,2%.

   
MACONHA


A produção e o consumo das principais drogas tradicionais estão em queda ou controlados no mundo, mas há sinais do aumento do uso de novas substâncias sintéticas, principalmente em países em desenvolvimento.
Contudo, a maconha ainda se mantém como a droga ilegal mais consumida no mundo. O relatório estima que entre 130 milhões e 190 milhões de pessoas consumiram a droga no último ano.
Segundo o estudo da UNODC, o Brasil é o país da América Latina que registrou maior aumento no consumo de maconha desde 2005, passando de 1% da população adulta em 2001 para 2,6% em 2005.
Apesar do salto de 160% entre estes anos, agora seu consumo tem se estabilizado (mas não diminuído). Estima-se que no Brasil existam cerca de três milhões os usuários de maconha.

Outro levantamento realizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) sobre o uso da maconha no Brasil, em 2005, revelou que 8,8% da população brasileira já consumiram a droga alguma vez na vida. Entre adolescentes, esse índice era menos da metade: 4,1%. 

 
Um estudo feito pelo CEBRID (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) da UNIFESP, que abrangeu todas as cidades com mais de 200 mil habitantes, num total de 107 cidades, que responde em parte, sobre o consumo de maconha no Brasil.
O uso na vida, no total, exceto tabaco e álcool, foi de 19,4%, sendo a maconha a droga que teve maior uso experimental com 6,9%.
As comparações do uso na vida de maconha, nas cinco regiões brasileiras foram semelhantes para três das regiões – Norte, Nordeste e Centro-Oeste com cerca de 5%.
A região Sul foi à campeã em porcentagens de uso na vida para a maconha com 8,4% de usuários.
A dependência de maconha apareceu em 1,0% dos entrevistados, o que equivale a uma população estimada de 451.000 pessoas.
A região Sul foi aquela onde apareceram as porcentagens mais expressivas de dependentes de maconha 1,6% dos entrevistados.
Em relação a outros países o uso na vida de maconha, no Brasil (6,9%) foi próximo aos resultados da Colômbia (5,4%) e Alemanha (4,2%), porém muito abaixo do observado nos EUA (34,2%). 


Outro levantamento do SENAD, mostra que as maiores vítimas de uma eventual liberação da maconha no Brasil seriam os jovens e adolescentes. O álcool, liberado, já foi consumido por quase metade de todos os indivíduos nessa faixa etária. Já a maconha, hoje proibida, tem baixa penetração entre os adolescentes. E é melhor que assim permaneça segundo os especialistas -  inclusive os que defendem a liberação de seu uso terapêutico e científico no Brasil.


CRACK e MERLA

Em 1999, o CEBRID realizou um levantamento domiciliar abrangendo as 24 maiores cidades paulistas. O uso na vida de crack foi de 0,7% para o sexo masculino e o uso de merla apareceu na região Norte com 1,0%, a maior do Brasil. A faixa etária de maior consumo para ambas as substâncias foi igualmente jovem e masculina, com índice de 1,2% (crack) e 0,5% (merla) para homens entre 25 – 34 anos.
Em populações especificas, o uso de crack entre estudantes de ensino fundamental e médio, o crack e a merla, eram utilizados por 0,5% desta população.
O crack, nas crianças e adolescentes em situação de rua, começou a ser utilizado no final dos anos 80, especialmente nos estados da região sul e sudeste. A tendência de aumento foi progressiva, constatada nos levantamentos consecutivos (1987, 1989, 1993, 1997 e 2003). Tal achado também foi observado em outros estudos 48,49. Em São Paulo houve aumento
do consumo entre 1989 e 1993, em Porto Alegre entre 1993 e 1997 e no Rio de
Janeiro o consumo que já era elevado em 1993, acentuou-se ainda mais entre 1997 e 2003. No nordeste cujo consumo de cocaína-crack era insignificante até 1997 (em torno de 1%), subiu em 2003 em Fortaleza para 10,3% e em Recife para 20,3%, sugerindo um aumento na disponibilidade de derivados da coca nesta região.
Ricardo Paiva, coordenador de um projeto que elaborou as diretrizes sobre assistência integral ao crack do Conselho Federal de Medicina, afirma que o uso do crack em nosso país já pode ser considerado epidemia, porém esta visão não é compartilhada por todos. "O Conselho Federal de Medicina reconhece, sim, como um epidemia, apesar de o governo federal não entender como tal. É uma questão de saúde pública grave. Uma epidemia não ocorre apenas em casos de doenças contraídas com o contágio por contato pessoal. O termo se aplica também quando o número de casos está avançando. O governo trabalha com até 0,7% da população do país como usuária, o que dá em torno de um milhão de pessoas, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que até 3% da população brasileira seja usuária, ou seja, seis milhões de pessoas. É um quadro muito alarmante." 


QUAL A POSTURA DO UNODC NO QUE SE REFERE AO USO DE DROGAS?

No relatório publicado em 24 de junho de 2009 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a insituição se posiciona contra a legalização de drogas, mas a favor de uma ampla discussão para se melhorar o enfretamento às drogas.
Primeiramente, o olhar sobre o usuário como um doente a ser tratado. Ao se ampliar o acesso a programas efetivos de tratamento para os dependentes, haveria uma redução dos índices de consumo, impactando sobre o tráfico. Em segundo lugar, o Estado deve ocupar áreas que foram tomadas pelo poder do tráfico e fornecer aparelhos sociais que garantam recursos às comunidades mais vulneráveis às drogas e ao crime, como moradia, emprego, educação, acesso a serviços públicos e lazer. Por fim, os governos devem aderir aos tratados internacionais contra o crime organizado e maior eficiência na aplicação da lei, bem como, aumentar a transparência e a qualidade dos dados relacionados às drogas.


O USO DE SUBSTÂNCIAS PODE INTERFERIR NA RELAÇÃO CONJUGAL AO LONGO DO TEMPO?


Pesquisadores da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, realizaram um estudo para verificar a relação entre padrões de uso de substâncias de recémcasados e satisfação conjugal ao longo do tempo. 
Eles queriam verificar especificamente se havia diferença na satisfação conjugal quanto ao gênero em relação ao uso pesado de álcool e hábito tabagista, e dessa forma predizer o impacto deste uso em afetar negativamente a satisfação da relação durante os primeiros sete anos de casado.
Para isso, acompanharam 634 casais que responderam individualmente um questionário sobre dados sócio-demográficos, uso de álcool e tabaco e mais uma escala para avaliar satisfação marital no primeiro, segundo, quarto e sétimo ano de casado.
Algumas questões que podem gerar stress na relação, como nascimento de filho e situação financeira, também foram avaliadas. Foi criado um parâmetro de discrepância de consumo de álcool e tabaco, ou seja, quando ambos utilizavam ou quando ambos não utilizavam, eram não discrepantes, ao passo
que quando apenas o marido ou a esposa consumia, era considerado casal discrepante
Em cada avaliação realizada, as discrepâncias quanto ao uso pesado de álcool foram mais evidentes do que as discrepâncias de uso de tabaco. Após controlar
as variáveis sócio-demográficas, a discrepância entre o casal tanto para álcool como para tabaco, foi associada a uma redução na satisfação conjugal.
Essa redução foi verificada tanto para maridos quanto para esposas. 
Ainda, os casais que apresentavam discrepância em ambas as substâncias apresentaram as maiores taxas de declínio na satisfação marital ao longo do tempo.
Os autores concluem que padrões de uso de substância em casais recém-casados são importantes preditores de mudanças no funcionamento da relação ao longo dos anos. Da mesma forma, não é simplesmente associar uso pesado de álcool ou uso de tabaco a uma insatisfação, mas também diferenças entre o uso de substâncias por homens ou mulheres podem impactar sobre a qualidade do relacionamento.

ONDE BUSCAR AJUDA?

Um mapeamento foi desenvolvido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas - Senad em parceria com a Universidade de Brasília – UnB, oferece à população Brasileira o cadastro de instituições governamentais e não-governamentais de atenção às questões relacionadas ao consumo de álcool e outras drogas no Brasil. 
Veja o cadastro completo destas insituições aqui: Link

LIVRETO INFORMATIVO SOBRE DROGAS DO CEBRID:

Livreto informativo do CEBRID sobre Drogas Psicotrópicas recomendada a alunos a partir do 7º ano do ensino fundamental: Link




  

FONTES:

BRASIL. Ministério da Justiça. OBID - Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas: Maconha. Disponivel em: www.obid.senad.gov.br/portais/OBID/conteudo/index.php?id_conteudo=11294&rastro=INFORMA%C3%87%C3%95ES+SOBRE+DROGAS%2FTipos+de+drogas/Maconha . Acesso em novembro de 2011.


UNODC - United Nations Office on Drugs and Crime. Relatório Mundial sobre Drogas 2011: Referências ao Brasil. Disponivel em:


UNIFESP - CEBRID: Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. São Paulo. http://www.cebrid.epm.br/index.php. Acesso em novembro de 2011.

Diário Oficial do Estado de São Paulo, Volume 119, número 124, seção 1, edição de 04 de julho de 2009.

Homish GG, Leonard KE, Kozlowski LT, Conerlius JR. The longitudinal association between multiple substance use discrepancies and marital satisfaction. Addiction 2009; 104:1201-1209.


Duailibi, LB. Ribeiro, M. Laranjeira, R.: Perfil dos usuários de cocaína e crack no Brasil. São Paulo. ABEAD - Associação Brasileira de Estudos do Àlcool e outras drogas. Perfil dos usuários de cocaína e crack no Brasil. Disponivel em:
http://www.abead.com.br/artigos/arquivos/perfil_usuario_coca_crack.pdf  Acesso em novembro de 2011.

Caitano. A. 'O crack é uma epidemia no Brasil, mas o governo não entende assim', diz coordenador do CFM. São Paulo. Revista Veja OnLine. Disponivel em: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/o-crack-e-uma-epidemia-no-brasil-mas-o-governo-nao-entende-assim-diz-coordenador-do-cfm Acesso em novembro de 2011.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA (PPD) E AS DIFERENÇAS ENTRE DOENÇA MENTAL E DEFICIÊNCIA MENTAL


            

Por inúmeras vezes fui questionada sobre quais doenças mentais podem ser consideradas PPDs, e porque as pessoas portadoras de patologias como esquizofrenia e bipolaridade não são classificadas como pessoas portadoras de deficiência mental.
Muitos têm esta dúvida, e eu concordo que os termos são bastante confusos, mas a resposta a esta pergunta é que nem toda a DOENÇA MENTAL caracteriza uma DEFICIÊNCIA MENTAL.
Para ficarem mais claras estas diferenças, comecemos pelas leis, artigos e diretrizes que contemplam o tema:


Lei N° 7.853 de 24 de outubro de 1989

Esta lei dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – (CORDE), institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define crimes, e dá outras providências.



Artigo 93 da Lei nº. 8.213, de 1991

Este artigo determina que a empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas, na seguinte proporção:

I - até 200 empregados............................................................2%;
II - de 201 a 500.....................................................................3%;
III - de 501 a 1.000.................................................................4%; 
IV - de 1.001 em diante. ..........................................................5%.

§ 1º A dispensa de trabalhador reabilitado ou de deficiente habilitado ao final de contrato por prazo determinado de mais de 90 (noventa) dias, e a imotivada, no contrato por prazo indeterminado, só poderá ocorrer após a contratação de substituto de condição semelhante.
§ 2º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social deverá gerar estatísticas sobre o total de empregados e as vagas preenchidas por reabilitados e deficientes habilitados, fornecendo-as, quando solicitadas, aos sindicatos ou entidades representativas dos empregados.




Decreto nº. 3.298, de 1999 e Decreto nº. 5.296, de 2004

Define os conceitos de DEFICIÊNCIA, DEFICIÊNCIA PERMANENTE  e INCAPACIDADE, atribuindo aos órgãos e às entidades do Poder Público assegurar à pessoa portadora de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, como educação, saúde, trabalho turismo, lazer, previdência e assistência social, etc., propiciando assim, seu bem-estar pessoal, social e econômico.

ÍNTEGRA DO DECRETO EM PDF:


Decreto nº. 5.296, de 2004

Ratifica as definições de deficiência física, auditiva, visual e mental, e estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.

ÍNTEGRA DO DECREDO EM PDF:



QUAIS SÃO OS TIPOS DE DEFICIENCIA?

As deficiências podem ser divididas em cinco grupos a saber:

a) deficiência física: alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções;

        b) deficiência auditiva: perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz;

        c) deficiência visual: cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores;

        d) deficiência mental: funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como:

1.      comunicação;
2.      cuidado pessoal;
3.      habilidades sociais;
4.      utilização dos recursos da comunidade;
5.      saúde e segurança;
6.      habilidades acadêmicas;
7.      lazer; e
8.      trabalho;

        e) deficiência múltipla - associação de duas ou mais deficiências; e pessoa com mobilidade reduzida, aquela que, não se enquadrando no conceito de pessoa portadora de deficiência, tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, gerando redução efetiva da mobilidade, flexibilidade, coordenação motora e percepção.


O que define a pessoa portadora de deficiência não é a falta de um membro nem a visão ou audição reduzidas. O que caracteriza pessoa portadora de deficiência é a dificuldade de se relacionar, de se integrar na sociedade. O grau de dificuldade de se relacionar, de se integrar na sociedade. O grau de dificuldade para a integração social é que definirá quem é ou não portador de deficiência [...] A deficiência, portanto, há que ser entendida levando-se em conta o grau de dificuldade para a integração de uma falha sensorial ou motora, por exemplo.

O Programa de Ação Mundial Para As Pessoas Com Deficiência adota o conceito da Organização Mundial da Saúde para deficiência: "toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica". 
Adota também o conceito de incapacidade: "toda restrição ou falta (devido a uma deficiência) da capacidade de realizar uma atividade na forma ou na medida que se considera normal a um ser humano"
Define ainda como "impedimento": "situação desvantajosa para um determinado indivíduo, em conseqüência de uma deficiência ou de uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de uma papel que é normal em seu caso (em função de idade, sexo e fatores sociais e culturais)". 

Este programa agrega a seguinte explanação acerca do impedimento: "O impedimento está, por conseguinte, em função da relação entre as pessoas incapacitadas e seu ambiente. 
Ocorre quando as ditas pessoas enfrentam barreiras culturais, físicas ou sociais que as impedem de ter acesso aos diversos sistemas da sociedade à disposição dos demais cidadãos. 
O impedimento é, portanto, a perda ou a limitação das oportunidades de participar na vida da comunidade na igualdade de condições com os demais.”
Estes termos e definições são bastante vagos, e isso dificulta ao cidadão comum concluir se é ou não uma PPD. 
No que se refere ao portador de doença mental, estas definições soam mais imprecisas ainda.


ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS:




DOENÇA (ou TRANSTORNO) MENTAL: são alterações do funcionamento da mente que prejudicam o desempenho da pessoa na vida familiar, na vida social, na vida pessoal, no trabalho, nos estudos, na compreensão de si e dos outros, na possibilidade de autocrítica, na tolerância aos problemas e na possibilidade de ter prazer na vida em geral.



(Obs.: em medicina, doenças são as alterações da saúde que tem uma causa determinada, com a ocorrência de alterações físicas detectáveis. O termo transtornos, por outro lado, é reservado para designar agrupamentos de sinais e sintomas associados a alterações de funcionamento sem origem conhecida. Mas para facilitar a compreensão, usaremos os termos - de forma inadequada - os termos doença e transtorno como sinônimos)


DEFICIÊNCIA: toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano;



DEFICIÊNCIA PERMANENTE: aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; 

 
INCAPACIDADE: uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida.



O QUE É DOENÇA (TRANSTORNO) MENTAL?

Popularmente há uma tendência em se julgar a sanidade da pessoa, de acordo com seu comportamento, de acordo com sua adequação às conveniências sócio-culturais como, por exemplo, a obediência aos familiares, o sucesso no sistema de produção, a postura sexual, etc.
Em termos médicos, entretanto, Doença Mental pode ser entendida como uma variação mórbida do normal, variação esta capaz de produzir prejuízo na performance global da pessoa (social, ocupacional, familiar e pessoal) e/ou das pessoas com quem convive. Organização Mundial de Saúde diz que o estado de completo bem estar físico, mental e social define o que é saúde, portanto, tal conceito implica num critério de valores (valorativo), já que, lida com a idéia de bem-estar e mal-estar.
 
O MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS é assim abordado o transtorno mental:

“(...) a definição de transtorno mental presente no DSM-III e no DSM-III-R é aqui apresentada por ser tão útil quanto qualquer outra definição disponível e por ter ajudado a orientar decisões relativas a que condições, nos limites entre a normalidade e a patologia, devem ser incluídas no DSM-IV. Neste, os transtornos mentais são concebidos como síndromes ou padrões comportamentais ou psicológicos clinicamente importantes, que ocorrem num indivíduo e estão associados com sofrimento (p.ex., sintoma doloroso) ou incapacitação (p.ex.,prejuízo em uma ou mais áreas importantes do funcionamento) ou com um risco significativamente aumentado de sofrimento, morte, dor, deficiência ou perda importante da liberdade. Além disso, essa síndrome ou padrão não deve constituir meramente uma resposta previsível e culturalmente aceita diante de um determinado evento, por exemplo, a morte de um ente querido. Qualquer que seja a causa original, a síndrome deve ser considerada no momento como uma manifestação da disfunção comportamental, psicológica ou biológica do indivíduo. Nem o comportamento desviante (p.ex.,político, religioso ou sexual), nem conflitos entre o indivíduo e a sociedade são transtornos mentais, a menos que o desvio ou o conflito sejam sintomas de uma disfunção no indivíduo, como descrito antes.
Um equívoco comum consiste em pensar que uma classificação de transtornos mentais classifica pessoas, quando na verdade o que se classifica são os transtornos que as pessoas apresentam. Por esse motivo, o DSM-IV (assim como o DSM-III-R) evita o uso de expressões tais como “um esquizofrênico” ou “um alcoólico”, em vez disso, utilizando expressões mais precisas, ainda que claramente mais incômodas, tais como “um indivíduo com Esquizofrenia” ou “um indivíduo com Dependência de Álcool”.”

Na quarta edição deste manual (DSM-IV), há uma importante observação da questão em contextos jurídicos:

“Quando as categorias, os critérios e as descrições do DSM-IV são empregados para fins judiciais, existem riscos significativos de mau uso ou de incompreensão das informações diagnósticas. Esses perigos surgem por não haver uma concordância perfeita entre as questões de interesse da justiça e as informações contidas em um diagnóstico clínico. Na maioria das situações, o diagnóstico clínico de um transtorno mental do DSM-IV não é suficiente para estabelecer a existência, para fins legais, de “transtorno mental”, “incapacidade mental”, “doença mental” ou “deficiência mental”. Para determinar se um indivíduo satisfaz um parâmetro jurídico específico (p.ex.,para interdição, responsabilização criminal ou inimputabilidade),geralmente são necessárias informações adicionais, além daquelas contidas no DSM-IV, podendo incluir informações acerca dos prejuízos funcionais do indivíduo e sobre como esses prejuízos afetam as aptidões específicas em questão. Precisamente porque os prejuízos, as aptidões e as deficiências variam amplamente dentro de cada categoria diagnóstica, a atribuição de determinado diagnóstico não implica um nível específico de prejuízo ou incapacitação.
(...)
Quando usados apropriadamente, os diagnósticos e as informações diagnósticas podem auxiliar os detentores do poder de decisão em suas deliberações.(...) as informações diagnósticas envolvendo o curso longitudinal podem melhorar a tomada de decisões, quando a questão legal envolve o funcionamento mental de uma pessoa no passado ou em algum momento futuro.”




O QUE É DEFICIÊNCIA MENTAL? O QUE A DIFERENCIA  DA DOENÇA MENTAL?


Voltemos ao artigo 4 do Decreto nº. 3.298/99:


“Artigo 4º, IV - deficiência mental – funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como:


a) comunicação;
b) cuidado pessoal;
c) habilidades sociais;
d) utilização dos recursos da comunidade;
e) saúde e segurança;
f) habilidades acadêmicas;
g) lazer; e
h) trabalho;.” 



Também o Decreto nº 5.296/04, que regulamenta as Leis nºs 10.048/2000 e 10.098/2000, define deficiência mental no artigo 5º, parágrafo 1º, d, reproduzindo integralmente o dispositivo antes transcrito.
A esta altura, oportuna a lembrança da distinção entre deficiência e incapacidade referida inclusive no próprio Decreto nº. 3.298/99, antes citado.
Segundo o DSM IV (Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais, edição de 1994), a deficiência mental é caracterizada por um funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidados, vida doméstica, habilidades sociais/interpessoais, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. O início deve ocorrer antes dos 18 anos.

Ou seja, a deficiência mental, ou deficiência intelectual, não representa apenas um QI baixo, como muitos acreditam. Ela envolve dificuldades para realizar atividades do dia-a-dia e interagir com o meio em que a pessoa vive. Ou seja, a deficiência mental, ou deficiência intelectual, não representa apenas um QI baixo, como muitos acreditam. Ela envolve dificuldades para realizar atividades do dia-a-dia e interagir com o meio em que a pessoa vive.

Já a doença mental engloba uma série de condições que também afetam o desempenho da pessoa na sociedade, além de causar alterações de humor, bom senso e concentração, por exemplo. Isso tudo causa uma alteração na percepção da realidade. As doenças mentais podem ser divididas em dois grupos, neuroses e psicoses. As neuroses são características encontradas em qualquer pessoa, como ansiedade e medo, porém exageradas. As psicoses são fenômenos psíquicos anormais, como delírios, perseguição e confusão mental. Alguns exemplos de doenças mentais são depressão, TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), transtorno bipolar e esquizofrenia.

O tratamento das duas condições também é diferente. Uma pessoa com deficiência mental precisa ser estimulada nas áreas em que tem dificuldade. Os principais profissionais envolvidos são educadores especiais, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Medicamentos são utilizados quando a deficiência mental é associada a doenças como a epilepsia. Alguns dos profissionais citados também participam do tratamento da doença mental, como os psicólogos e terapeutas ocupacionais. Mas, além deles, é imprescindível o acompanhamento de um psiquiatra. Esse médico coordena o tratamento, além de definir a medicação utilizada para controlar os sintomas apresentados pelo paciente.
Em resumo, a principal diferença entre deficiência mental e doença mental é que, na deficiência mental, há uma limitação no desenvolvimento das funções necessárias para compreender e interagia com o meio, enquanto na doença mental, essas funções existem mas ficam comprometidas pelos fenômenos psíquicos aumentados ou anormais.
É importante destacar que as duas podem se apresentar juntas em um paciente. Pessoas com deficiência mental podem ter, associada, doença mental. Sendo assim, o tratamento deve levar em conta as duas situações.”(http://renatapinheiro.com/deficiencia-mental-x-doenca-mental)

“Artigo - Deficiência intelectual e doença mental: uma singela distinção, apesar da linha tênue que as separa. Em alguns casos, além da deficiência intelectual, o indivíduo poderá apresentar doença ou transtorno que lhe afete a mente. Razoável, então, que indique as principais características e algumas diferenças existentes entre esses dois diagnósticos clínicos.
Deficiência intelectual (mental).

CONCLUSÃO:

Doença (ou transtorno) mental e deficiência mental não são a mesma coisa; possuem caracteristicas diferentes e até tratamentos diferentes. Por outro lado, uma mesma pessoa pode ter uma deficiência mental associado a um transtorno mental, sendo assim, portador de um transtorno mental é diferente de Pessoa Portadora de Deficiência Mental (PPD).
A Lei nº. 7.853, de 1989, e o artigo 93 da Lei nº. 8.213, de 1991, e o Decreto nº. 3.298, de 1999 e Decreto nº. 5.296, de 2004 contempla a PPD, mas não o portador de um transtorno mental.



FONTES:

Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Defesa de Direitos – legislação. Disponível em http://www.ibdd.org.br/direito-legislacao.asp?t=  Acesso em setembro de 2011.


Bevervanço, R.B., Diferença entre deficiência Mental e Doença Mental e a atuação do Ministério Público. Centro de Apoio Operacopnal às Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos de Pessoas Portadoras de Deficiência. Internet. Paraná. Disponível em: http://www.ppd.caop.mp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=343 Acesso em setembro de 2011.


BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DA DIFERENÇA ENTRE DEFICIÊNCIA MENTAL E DOENÇA MENTAL E A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. BRASIL. Ministério da Justiça. CORDE. PROGRAMA DE AÇÃO MUNDIAL PARA AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA. Tradução: Edilson Alkimin da Cunha. Publicação Oficial. Brasília, 1996, p. 13.

domingo, 21 de agosto de 2011

CARPE DIEM !




 



A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe...







 
"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. 
É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. 
Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. 
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. 
Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo. 
Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. 
Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. 
Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus. 
Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. 
Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. 
O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser, e aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim! "




 Ei! Sorria... Mas não se esconda atrás desse sorriso...
Mostre aquilo que você é, sem medo.
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu.
Viva! Tente! A vida não passa de uma tentativa.
Ei! Ame acima de tudo, ame a tudo e a todos.
Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome!
Esqueça a bomba, mas antes, faça algo para combatê-la, mesmo que se sinta incapaz.
Procure o que há de bom em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distancia, e sim, uma aproximação.

Aceite! A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver.
Entenda! Entenda as pessoas que pensam diferente de você, não as reprove.
Ei! Olhe... Olhe a sua volta, quantos amigos...
Você já tornou alguém feliz hoje? Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Ei! Não corra. Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você.
Sonhe! Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga.
Acredite! Espere! Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.
Chore! Lute! Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.
Ei! Ouça... Escute o que as outras pessoas têm a dizer, é importante.
Suba... faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo,
Mas não esqueça daqueles que não conseguem subir a escada da vida.
Ei! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente, eu também vou tentar.

 
"Tu és jovem. Atender a quem te chama é belo, lutar por quem te rejeita é quase chegar a perfeição.
A juventude precisa de sonhos, e se nutrir de lembranças, assim como o leito dos rios precisa da água que rola e o coração necessita de afeto. 
Não faças do amanhã o sinônimo de nunca, nem que o ontem te seja o mesmo que nunca mais. 
Teus passos ficaram... Olhes para trás, mas vá em frente. Há muitos que precisam que chegues Para poderem seguir-te."

Textos de Charles Spencer Chaplin (1889 - 1977)




domingo, 14 de agosto de 2011

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE PARANÓICA E TRANSTORNO ESQUIZOTÍPICO



TRANSTORNO DE PERSONALIDADE PARANÓICA (CID F60)

Os portadores do transtorno de personalidade paranóica caracterizam-se por suspeitas constantes e desconfiança quanto às pessoas em geral.

Elas recusam-se a aceitar que tem este problema, atribuindo esta responsabilidade aos outros.
São geralmente hostis, irritáveis e coléricos.

Trata-se da figura clássica do fanático, do colecionadorde injustiças, do cônjuge com ciúme patológico, etc.
O Transtorno da Personalidade Paranóide pode manifestar-se pela primeira vez na infância e adolescência, por uma tendência a ficar solitário, fracos relacionamentos com os seus pares, ansiedade social, baixo rendimento escolar, suscetibilidade excessiva, pensamentos e linguagem peculiares e fantasias idiossincráticas. Estas crianças podem parecer "esquisitas" ou "excêntricas".
Alguns comportamentos influenciados pelo contexto sócio-cultural ou circunstâncias de vida específicas podem ser erroneamente rotulados como paranóides e até mesmo ser reforçados pelo processo de avaliação clínica. Os membros de grupos minoritários, imigrantes, refugiados políticos e económicos ou indivíduos de diferentes bagagens étnicas podem apresentar comportamentos reservados ou defensivos, devido à falta de familiaridade (por ex., barreiras linguísticas ou falta de conhecimento de regras e regulamentos) ou em resposta a uma negligência ou indiferença percebida da parte da sociedade maioritária. Esses comportamentos, por sua vez, podem gerar raiva e frustração nas pessoas que lidam com esses indivíduos, desta forma estabelecendo-se um círculo vicioso de desconfiança mútua, que não deve ser confundido com Transtorno da Personalidade Paranóide.

INCIDÊNCIA NA POPULAÇÃO:

A prevalência do transtorno de personalidade paranóide é de 0,5 a 2,5 %, 10-30% em contextos de internação psiquiátrica e 2-10% em ambulatórios de saúde mental.
Os indivíduos com este transtorno raramente buscam ajuda, e quando um cônjuge, familiar ou empregador os encaminham, eles podem, frequentemente controlar-se para não se mostrarem perturbados.
Este transtorno é mais comum em homens do que em mulheres, e não foi notado um padrão familiar (ou seja, aparentemente, não envolve fatores genéticos).
Acreditava-se no passado que a incidência era maior entre homossexuais, mas esta hipótese foi derrubada,contudo, acredita-se que seja mais comum em grupos de minoria, imigrantes e surdos, se comprado à população em geral.
Existem algumas evidências de maior prevalência do Transtorno da Personalidade Paranóide em famílias onde existam casos de Esquizofrenia crônica e de um relacionamento familial mais específico com o Transtorno Delirante, Tipo Persecutório.

DIAGNÓSTICO:

Durante a consulta, os portadores do Transtorno de Personalidade Paranóide podem mostrar-se muito formais, e até surpresos por terem sido encaminhados a procurar auxilio psiquiátrico.
Eles geralmente apresentam tensão muscular, incapacidade em relaxar,e a constante necessidade de observar atentamente o ambiente à procura de indícios.
Não apresentam senso de humor, sendo bastante sérios.

CARACTERISTICAS 

A característica essencial deste transtorno é uma tendência global e inadequada em interpretar as ações alheias como humilhantes e/ou ameaçadoras. Na maioria das vezes os portadores esperam ser explorados ou prejudicados pelos outros, e frequentemente questionam, sem qualquer justificativa, a lealdade ou confiabilidade de amigos e colegas.
Os indivíduos com este transtorno relutam em ter confiança ou intimidade com outras pessoas, pelo medo de que as informações que compartilham sejam usadas contra eles . Eles podem recusar-se a responder a perguntas pessoais, afirmando que as informações "não são da conta de ninguém".
Acham que sempre os outros irão usar de forma maliciosa o conhecimento sobre sua pessoa, percebendo-se ameaçado constantemente.
Apresenta medo de conversar, pois acha que em todas as conversas tem significados (interesses) ocultos que irão lhe prejudicar ou usar para lhe humilhar.
Os indivíduos com este transtorno guardam rancores persistentes e relutam em perdoar os insultos, ofensas ou deslizes dos quais pensam ter sido vítimas . Pequenos deslizes causam grande hostilidade, e os sentimentos hostis persistem por muito tempo.
Geralmente são patológicamente ciumentos, questionando sem qualquer motivo aparente, a fidelidade de cônjugesou parceiros sexuais.Suas idéias são comumente defendidas de maneira lógica, sendo assim, eles podem coletar "evidências" triviais e circunstanciais para apoiarem suas crenças ciumentas. Desejam manter um completo controle de relacionamentos íntimos para evitar traições, podendo constantemente questionar o paradeiro, as ações, intenções e fidelidade do cônjuge ou parceiro.
Externalizam suas próprias emoções e usam como defesa a projeção, isto é, eles atribuem aos outros impulsos e pensamentos que não conseguem aceitar em si próprios.
São afetivamente restritos e parecem frios emocionalmente. Orgulham-se de serem racionais e objetivos, o que não é verdade.
O portador deste transtorno de personalidade não possuem calor humano e se impressionam e prestam mais atenção a temas de poder e hierarquia, expressando desdém por pessoas vistas como fracas, doentias prejudicadas, ou de alguma forma defeituosas. Tais características tornam estes indivíduos preconceituosos.
No trabalho ou em outras situações sociais, podem mostrar-se práticos e eficientes, mas  frequentemente geram medo ou conflito em outras pessoas.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

O que diferencia o portador da personalidade paranóica do portador dos transtornos delirantes é o fato de que seus delírios não são fixos.
Se comparado ao portador de transtorno de personalidade borderline, nota-se que o borderline é capaz de ter relacionamentos envolventes, embora tumultuados, o que raramente ocorre com o portador da personalidade paranóica.
Podem ser diferenciados dos portadores de personalidade esquizóide, pois estes são retraídos e alheios, sem ter as ideações paranóides.

PROGNÓSTICO

Em alguns indivíduos, a condição perdura por toda a vida, em outros, é um precursor da esquizofrenia; em outros, ainda, à medida que amadurecem ou que o stress diminui, os trações paranóides dão lugar a formação reativa, a uma preocupação mais apropriada à moralidade e a preocupações altruístas.
Em geral, estes pacientes têm problemas permanentes no trabalho e no convívio humano com outras pessoas, sendo os problemas conjugais bastante comuns.

TRATAMENTO

O tratamento é feito por psicoterapia e farmacoterapia (medicamentos).
Os pacientes paranóides não se saem bem em terapias de grupo, nem tendem a tolerar a invasão de terapias comportamentais.
Certos temas, em especial acerca do sentimento profundo de dependência, preocupações sexuais e desejos de intimidade, devem ser abordadas com cautela, pois podem aumentar significativamente a falta de confiança do paciente.
Às vezes, o comportamento dos pacientes com transtorno da personalidade paranóide torna-se tão ameaçador, que é importante controlá-lo ou limitá-lo.
É necessário manejar de forma gentil e sem humilhá-los as acusações delirantes destas pessoas. Por exemplo, ao abordar a desconfiança de infidelidade sem qualquer motivo, e preciso fazê-lo de forma serena e lógica, evitando ridicularizá-lo com termos como "não seja ridículo" ou "isso é coisa da sua cabeça".
O tratamento medicamentosos é útil para lidar com a agitação e ansiedade destes pacientes, sendo utilizados ansiolíticos e antipsicóticos em alguns casos.


TRANSTORNO DE PERSONALIDADE PARANÓICA



Cluster/Grupo A (transtornos excêntricos ou estranhos) Os indivíduos que estão neste grupo, costumam ser apelidados como esquisitos, isolados socialmente, frios emocionalmente, inexpressivos, distantes e muito desconfiados. Este grupo está mais propenso aos transtornos psicóticos.

* Transtorno de personalidade paranóide - São pessoas desconfiadas em excesso, não conseguem confiar em outros, achando sempre que vão ser passados para trás ou que estão tramando e conspirando algo contra ele. São frios emocionalmente e podem se manter distantes das outras pessoas por conta da desconfiança. (Não confundir com esquizofrenia ou delírio.)



TRANSTORNO ESQUIZOTIPICO (CID F21)


O Transtorno de Personalidade Esquizotípica pode ser classificado como um modo suave de esquizofrenia.
Este transtorno ocorre em 3% da população geral e é um pouco mais comum em homens.
É caracterizado por formas incomuns de pensamento e de percepção, afeto frio ou inapropriado, anedonia (perda da sensação de prazer nos atos que costumam proporcioná-la), idéias paranóides (de perseguição, por exemplo) comportamento e pensamentos estranho ou excêntrico, tendência ao isolamento, períodos transitórios ocasionais quase psicóticos com ilusões intensas, alucinações auditivas, visuais ou outras, e idéias pseudodelirantes, ocorrendo em geral sem fator desencadeante exterior. Os portadores deste diagnóstico muitas vezes crêem ter habilidades extra-sensoriais ou que eventos não relacionados se relacionam a eles de alguma forma importante.
Eles, algumas vezes, se empenham em comportamento excêntrico e têm dificuldades em se concentrar por longos períodos de tempo.
Suas conversas geralmente são excessivamente elaboradas e difíceis de acompanhar.
Segundo os critérios do CID.10, para o diagnóstico do transtorno esquizotipico, é necessário que o indivíduo tenha manifestado ao longo de um período de pelo menos dois anos, ao menos quatro dos seguintes, de modo contínuo ou repetido:
1) Idéias de referência (excluindo delírios de referência);  
2)Crenças bizarras ou pensamento mágico que influenciam o comportamento e são inconsistentes com as normas da subcultura do indivíduo (por ex., superstições, crença em clarividência, telepatia ou "sexto sentido"; em crianças e adolescentes, fantasias e preocupações bizarras);  
3)Experiências perceptivas incomuns, incluindo ilusões somáticas; 4)Pensamento e discurso bizarros (por ex., vago, circunstancial, metafórico, superelaborado ou estereotipado);  
5)Desconfiança ou ideação paranóide; 
6)Afeto inadequado ou constrito;  
7)Aparência ou comportamento esquisito, peculiar ou excêntrico;  
8)Não tem amigos íntimos ou confidentes, exceto parentes em primeiro grau;  
9)Ansiedade social excessiva que não diminui com a familiaridade e tende a estar associada com temores paranóides, ao invés de julgamentos negativos acerca de si próprio.
O transtorno de personalidade esquizotípica ocorre em 3% da população geral, sendo um pouco mais comum em homens.
O Transtorno Esquizóide distingue-se do Esquizotípico pela ausência de distorções cognitivas ou perceptivas, como ilusões ou delírios.


TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOTÍPICO
 
 


Cluster/Grupo A (transtornos excêntricos ou estranhos) Os indivíduos que estão neste grupo, costumam ser apelidados como esquisitos, isolados socialmente, frios emocionalmente, inexpressivos, distantes e muito desconfiados. Este grupo está mais propenso aos transtornos psicóticos.

* Transtorno de personalidade esquizotípica - Pessoas com as mesmas características ao esquizóide, contudo, estão próximas à esquizofrenia, desconfiados, podem acreditar que tem poderes especiais, são supersticiosos, com comportamento muito excêntrico. (Não confundir com esquizofrenia, embora sejam próximos.)



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


Transtorno de Personalidade Paranóide - Ciúme doentio - Desconfiança - Diagnóstico e Tratamento. in Psicologia na Net. Internet. São Paulo. Disponivel em http://www.psicologiananet.com.br/transtorno-de-personalidade-paranoide-%E2%80%93-ciume-doentio-desconfianca-diagnostico-e-tratamento/1261/ Acesso em agosto de 2011.

 

Campos. S. Transtorno de Personalidade. in Medicina Avançada. Internet. São Paulo. Disponivel em http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/11449 . Acesso em agosto de 2011. 


Kaplan, HI. Sadock, BJ. Grebb, JA. Compêndio de Psiquiatria: Ciências do Comportamento e Psiquiatrica Clínica. 7ª ed. Artmed. São Paulo, 2005.


Campos, S. Tipos de Esquizofrenia. in Medicina Avançada, internet, São Paulo. Disponível em http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/13255 , atualizado em 2004.


Ballone, GJ.: Transtorno Delirante. in PsiqWeb, Internet, São Paulo. Disponível em: http://virtualpsy.locaweb.com.br/dsm_janela.php?cod=39 , atualizado em 2005.