sexta-feira, 29 de abril de 2011

TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE



O QUE É TRANSTORNO DE PERSONALIDADE?

O termo “personalidade” pode ser definido como a totalidade dos traços emocionais e comportamentais que caracterizam o individua na vida cotidiana, sob condições normais. Ela é relativamente estável e previsível.
Um transtorno da personalidade representa uma variação desses traços de caráter, que vai além daquilo que é considerado “normal”.

Somente quando estes traços da personalidade são inflexíveis e mal ajustados e causam ajustamento gravemente comprometido ou sofrimento, eles caracterizam transtorno de personalidade.
Eles apresentam comportamento estranho, excêntrico, mal ajustado e inflexível nos relacionamentos, e no modo como eles vêem o mundo, a maneira como expressa as emoções, o comportamento social, e a cerca de si mesmos.
Essas características, no entanto apesar de necessárias não são suficientes para identificação dos transtornos de personalidade, pois são muito vagas. A maneira mais clara como a classificação deste problema vem sendo tratada é através da subdivisão em tipos de personalidade patológica. Ao nosso ver, esta forma é bastante adequada, pois se verifica na prática manifestações diversas e até opostas para o mesmo problema.


GENERALIDADES:


Para se falar de personalidade é preciso entender o que vem a ser um traço de personalidade. O traço é um aspecto do comportamento duradouro da pessoa; é a sua tendência à sociabilidade ou ao isolamento; à desconfiança ou à confiança nos outros.
Um exemplo: lavar as mãos é um hábito, a higiene é um traço, pois implica em manter-se limpo regularmente escovando os dentes, tomando banho, trocando as roupas, etc.
Pode-se dizer que a higiene é um traço da personalidade de uma pessoa depois que os hábitos de limpeza se arraigaram. O comportamento final de uma pessoa é o resultado de todos os seus traços de personalidade. O que diferencia uma pessoa da outra é a amplitude e intensidade com que cada traço é vivido.
Por convenção, o diagnóstico só deve ser dado a adultos, ou no final da adolescência, pois a personalidade só está completa nessa época, na maioria das vezes. Os diagnósticos de distúrbios de conduta na adolescência e pré-adolescência são outros.

 
TIPOS DE TRANSTORNO DE PERSONALIDADE:


Transtorno de personalidade Borderline (CID F60.31)
Transtorno de personalidade Histriônica (CID F60.4)
Transtorno de personalidade Paranóica (CID F60.0)
Transtorno de personalidade Esquizotípica (CID F 21 )
Transtorno de personalidade Esquizóide (CID F60.1)
Transtorno de personalidade Dissocial (CID F60.2)
Transtorno de personalidade com instabilidade emocional (CID F60.3)
Transtorno de personalidade Anancrástica (CID F60.5)
Transtorno de personalidade Esquiva ou Ansiosa (CID F60.6)
Transtorno de personalidade Dependente (CID F60.7)
Outros transtornos especificos de personalidade (CID F60.8)
- excêntrica
- imatura
- narcísica
- passivo-agressiva
- psico-neurótica
- tipo haltlose
Transtorno não especificos de Personalidade (CID F60.9)
- Neurose de caráter SOE
- Personalidade patológica SOE

A descrição dos tipos de transtorno de personalidade será feito nos próximos posts.

FONTES:


Kaplan, HI. Sadock, BJ. Grebb, JA. Compêndio de Psiquiatria: Ciências do Comportamento e Psiquiatria Clínica. 7ª ed. Artmed. São Paulo, 2005.


Marot, R. Personalidade Patológica. Internet. In Psicosite. Disponível em: http://www.psicosite.com.br/tra/out/personalidade.htm
Acesso em abril de 2011.


MINISTÉRIO DA SAÚDE – Departamento de Informática do SUS – DATASUS. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. Internet. Disponível em http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/webhelp/f60_f69.htm

Acesso em abril de 2011.

AGRADECIMENTO



Vou fugir um pouco à regra, e aproveitarei este espaço para agradecer à todas as demonstrações de carinho, dicas, comentários, sugestões e elogios que tenho recebido.
Neste momento, gostaria de agradecer em especial à Hami do Blog Devaneios de uma mente em transição que muito gentilmente presenteou este espaço com dois selos.
Muito obrigada, pelo carinho, minha linda!

E cá estão eles:









Pela regra, agora eu preciso indicar cinco Blogs para receberem o mesmo selo, então estas são minhas escolhas:

A esperança de Lidia
Este Blog aborda o dia-a-dia de Lidia; uma jovem que ficou tetraplégica após um grave acidente. Ela perdeu os movimentos, mas não a garra, a coragem, a doçura e o caráter. Uma verdadeira guerreira!
Simplesmente emocionante!
Um dos Blogs mais completos que já vi sobre Bipolaridade.

Garota Interrompida
Este Blog aborda os sentimentos, os obstáculos, as dúvidas, as tristezas e alegrias de uma jovem portadora de transtorno de personalidade Borderline.

Suicídio: pesquisa e prevenção
Blog escrito pelo pesquisador Gláucio Dillon, que se auto-entitula "Um coroa, pesquisador. Paciente de câncer desde 1995, A-Fib, embolias pulmonares múltiplas, etc que continua vivo por misericórdia divina."
Neste blog, ele aborda de forma abrangênte e com muita qualidade de informação, diversos temas cientificos, em especial, a depressão e prevenção de suicídio.

Psicoses, neuroses e nostalgias
Blog escrito por Patricia Fabiana Beckenkamp, onde a mesma aborda temas diversos. São textos pequenos, gostosos de lêr, e que mostram sua inteligência, humor ácido, deboche e até um certo mau humor. Hora depressivo, hora engraçado, hora filosófico... Ela não segue regras. Escreve o que lhe dá na telha!

Espero que gostem das minhas escolhas.

Forte abraço a todos!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O PODER DA MIDIA, CASO REALENGO E ESQUIZOFRENIA: DISSEMINANDO PRECONCEITOS.



O Grito - Edvard Munch





Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.”
Albert Einstein


A ciência pode ter quebrado o preconceito das pessoas sobre as doenças, 
mas não das pessoas sobre os doentes.”
 Pedro Bravo de Souza







Chamam normalmente a imprensa de “terceiro poder”.
No nosso país, até alguns anos atrás, isto é, até o final da ditadura, a expressão “terceiro poder” não tinha sentido, já que a imprensa era totalmente reprimida pelo regime militar.
Contudo, os tempos são outros. A imprensa divulga informação, levanta questionamentos sérios, reivindica direitos da população, mas também comete sérias falhas, já que muito comumente nos deparamos com informações incorretas, suposições “carimbadas” como verdades incontestes, e também (o que é pior), ela também consegue disseminar preconceitos.
Hoje, é impossível pensar no país e no mundo sem os “mass media” (ou, em português, os meios de comunicação de massas).
Os jornais, o rádio e a televisão criam e recriam o pensamento da população. As coisas só passam a ter existência se forem publicadas em um meio de comunicação.
Portanto, o fato de ser notícia já é “quase notícia”! Para que ela venha a ser uma noticia de verdade, precisa passar pelo crivo daqueles que não se limitam a relatar o fato: eles selecionam-nas, interpretam-nas e atribuem-lhes a importância que bem querem, conseguindo assim, de certa forma, manipulá-las. Na luta absurda pela audiência, a população é a principal vitima, e muitas vezes os próprios jornalistas também, já que estes muitas vezes são cobrados por números, IBOPE, audiência, e não por apenas informar.
A mídia tem a capacidade não só de informar, mas de criar mitos e preconceitos, espalhar pensamentos positivos e negativos também. A imprensa é forte ao ponto derrubar um presidente (que o diga Fernando Collor de Melo).
O mais vergonhoso é ver que algumas pessoas “pegam carona” no sensacionalismo da mídia para se auto promover, e no caso de alguns políticos, angariar alguns votos para as próximas eleições.
Hoje por exemplo, assisti uma reportagem na qual o presidente do Senado José Sarney, defendia um novo plebiscito sobre a proibição do comércio de armas e munições , pois  na opinião dele, o Brasil vive um momento diferente ao da época do referendo, realizado em 23 de outubro de 2005, em que a maioria da população brasileira rejeitou a proibição da venda de armas e munições.  
O massacre na escola no Realengo
Certamente ele não chegou a essa conclusão analisando dados sérios sobre os índices de criminalidade, mas sim, baseando-se no recente caso do massacre das crianças na escola do Realengo.
Levanto então a seguinte questão: mas o jovem cometeu esta atrocidade com armas compradas legalmente? Ele foi até a Policia Federal para solicitar porte de armas? NÃO! Ele comprou as armas ilegalmente, não tinha porte, e ainda assim cometeu aquela barbárie!
Mas é claro que o digníssimo presidente do Senado não poderia perder esta oportunidade única de pegar uma carona com a mídia sensacionalista para se autopromover!
Ainda levanto outra questão: Nossos jornais falam em crimes brutais, trânsito selvagem, suicídios na mídia, epidemia de Bullying, mas ninguém toca no assunto sobre a “desassistência” em Saúde Mental, ou ainda, à “desassistência” à saúde publica como um todo. Afinal, estamos em um país onde frotas de ambulâncias e milhares de profissionais da saúde ficam de prontidão em um estádio de futebol, ou em um desfile de escolas de samba, ou em qualquer situação que chame a atenção da população, e enquanto isso, pessoas morrem nas filas dos hospitais por falta de atendimento ou por falta de resgate em tempo hábil.
Mas o que a população ganha com todo este exagero? Existem ganhos?

MASSACRE DO REALENGO E A PROPAGAÇÃO DO PRECONCEITO:

O preconceito é um "pré-conceito", e como tal, é passível de erros. Este é um câncer que o homem moderno ainda não conseguiu curar, por mais que sejamos mais evoluídos que o homo neanderthalensis.
O preconceito para com os portadores de patologias psiquiátricas é um fato, e a informação indevidamente transmitida tem o poder de apenas aumentar este mal.
Claro que a violência esta disseminada em nossa sociedade, mas ver as constantes reportagens e discussões de crimes de grande comoção nacional como os da escola do Realengo, faz com que se espalhe pela população o medo generalizado (é o que os psicólogos chamam de indução).
Vemos uma superexposição do caso, onde a violência com a qual o jovem atirou nas crianças tem sido atribuída à esquizofrenia.
Já ouvi pessoas dizerem que tem “medo de esquizofrênicos, pois eles matam pessoas”, e também já ouvi esquizofrênicos dizendo que “sentem medo em vir a fazer algo igual durante um surto”.
Essa exploração errônea e excessiva do caso faz com que aumente o preconceito para com os esquizofrênicos, e para piorar, espalha essa sensação de medo na população (a "indução").
Assisti à uma entrevista na qual uma  psicóloga cometeu o gravíssimo erro de afirmar em rede nacional durante uma entrevista que "o assassino, pela carta que escreveu, dava sérios indícios de que era esquizofrênico".
Contudo, vale lembrar que esta profissional foi péssima em sua colocação, e podemos enumerar alguns motivos.
Primeiro, porque cabe ao psiquiatra definir o diagnóstico; segundo, porque a esquizofrenia não é o tipo de transtorno cujo diagnóstico pode ser definido somente lendo uma carta ou através do relato de vizinhos; terceiro, pode-se levar anos e anos para chegar a este diagnóstico, já que um dos grandes problemas em diagnosticar a esquizofrenia, é o fato de que este transtorno tem uma série de sintomas que são comuns a várias doenças. 
Assisti a uma outra entrevista de um psiquiatra forense, onde o mesmo assistiu aos videos deixados pelo assassino, e foi enfático: "trata-se de esquizofrenia paranóide!" - afirmou. Qual foi o embasamento para esta afirmação? A face inexpressiva do jovem, o fato de que o mesmo sentia-se perseguido, e por achar que a sociedade está perdida. Será que  estas são evidências suficientes para tal afirmação?
Pronto! Meros indícios viram sinônimo de CERTEZA ABSOLUTA! O jovem pode SIM ser esquizofrênico, mas também pode ter uma série de outras psicoses (aliás, a lista é tão grande, que seria necessário um novo post apenas para enumerá-las).
Mas vou mencionar apenas um exemplo... Existe uma síndrome chamada Amok que consiste numa súbita e espontânea explosão de raiva selvagem, que faz com que a pessoa afetada corra loucamente, armada e ataque indiscriminadamente pessoas ou animais, ferindo ou matando tudo o que se cruze com ele até que seja imobilizado ou se suicide.
Estou querendo dizer que este é um caso de Amok e não de esquizofrenia? NÃO! Não há dados suficientes para se ter certeza de qual era o transtorno daquele rapaz! Existem inúmeras psicoses que podem explicar o ocorrido...
Já é grave um especialista dizer em rede nacional algo do qual não se  tem certeza, e pior ainda, é quando a imprensa (sem menor conhecimento cientifico) fica repetindo a mesma coisa feito um papagaio.
Escutei outras "hipóteses" também, como por exemplo, que o rapaz matava preferencialmente meninas provavelmente porque foi rejeitado na infância por alguma garota, entre outras barbaridades.
Mas baseando-se em que são levantadas estas informações? Existem dados suficientes? Este rapaz fez um acompanhamento médico adequado para identificar de que transtorno ele sofria?
São apenas hipóteses! Não tem cabimento usar uma hipótese como verdade absoluta!
Para o psiquiatra forense do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, Daniel Martins de Barros, essas motivações dificilmente serão conhecidas porque se trata de um caso complexo, que envolve uma conjunção de fatores. Segundo ele, nem mesmo é possível afirmar que Wellington era portador de algum tipo de doença mental.
“Um ato não faz o diagnóstico, por mais estranho e pouco usual que ele seja. Uma atitude isolada não permite se fazer diagnóstico de nada”, disse o psiquiatra, em entrevista à Agência Brasil.
O que ganhamos com tanta "pseudo-ciência" na TV é que um sentimento de medo generalizado que se espalha pela nossa sociedade. Com isso, inúmeras fobias e preconceitos podem nascer ou aumentar a partir deste fato.
Não digo que devamos ignorar o que aconteceu àquelas crianças inocentes.
Sinceramente estou muito comovida com o que ocorreu, principalmente porque tenho duas filhas na mesma faixa etária daquelas crianças, e confesso que também senti um aperto no meu coração de mãe ao ter que mandá-las para a escola, afinal, eu tenho sim muito medo que algo um dia aconteça a elas (e isso é perfeitamente normal).
Contudo, o que não podemos é deixar que o medo e o desespero se espalhem por uma informação exageradamente explorada e sem devido embasamento científico.
Também deve-se impedir que este medo "trave" nossas vidas; deixando que o pânico nos deixe inertes.
Não podemos permitir que informações baseadas apenas em hipóteses e imersas em um sensacionalismo absurdo, faça com que o preconceito contra esquizofrênicos e demais portadores de patologias psiquiatrias se propague.
Todo este exagero atrai mais coisas ruins do que boas à população, em especial às pessoas que são mais sensíveis, como os esquizofrênicos, portadores de transtorno de ansiedade e personalidade, depressivos, sociofóbicos, etc.
Não estou aqui defendendo a alienação da sociedade, mas sim que a noticia que chega até nós passe pelo crivo do bom-senso: “Está informação é lógica?”, “Será que está correta?”, “Está sendo excessivamente explorada”? “Ela agrega algo de útil?”
Prefiro ser utópica e acreditar que a INFORMAÇÃO  COERENTE ainda é a maior arma contra o preconceito e a manipulação das massas.
Claro que esta tarefa depende de nossos governantes, mas também depende da população, que é co-responsável por tais mudanças.
Isoladamente não temos força para mudar o mundo, mas podemos fazer a nossa parte!


FONTE:

Pinto, F. O terceiro poder. Internet, In http://correrdapena.blogspot.com/2004/01/terceiro-poder-e-cidadania.html. Acesso em abril de 2011.

Cruz, P.E. Para psiquiatra, atitude isolada não é suficiente para diagnosticar doença mental. Entrevista concedida à Agência Brasil. Disponivel em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-04-09/para-psiquiatra-atitude-isolada-nao-e-suficiente-para-diagnosticar-doenca-mental . Acesso em abril de 2011.

 


quinta-feira, 7 de abril de 2011

"UMA EM CADA 12 ADOLESCENTES SE MACHUCA DE PROPÓSITO, DIZ ESTUDO"

LONDRES (Reuters) - Um em cada 12 adolescentes, a maioria meninas, causa autolesões propositais, e certa de 10 % dos que fazem isso, mantém esse comportamento na vida adulta, segundo estudo divulgado recentemente.

Como a autolesão é um dos principais indicadores da propensão ao suicídio, os psiquiatras responsáveis pelo estudo disseram esperar que suas conclusões levem a atitudes mais ativas e prematuras para ajudar pessoas em risco.


George Patton, que comandou o estudo no Centro para a Saúde Adolescente, do Instituto Murdoch de Pesquisas Infantis, em Melbourne (Austrália), disse que as conclusões mostram uma "janela de vulnerabilidade" na fase intermediária da adolescência.


"A autolesão (CUTTING) representa uma forma de lidar com essas emoções (da adolescência)", disse ele a jornalistas.

No estudo publicado na revista Lancet, os pesquisadores disseram também que os jovens que se machucam frequentemente sofrem de patologias psiquiátricas que exigem tratamento.

A autolesão é um problema mundial de saúde, e especialmente comum entre meninas e moças de 15 a 24 anos. Especialistas suspeitam que a incidência do problema esteja aumentando.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase 1 milhão de pessoas se suicida por ano, o que representa uma mortalidade de 16 por 100 mil indivíduos, ou uma morte a cada 40 segundos. Nos últimos 45 anos, os índices mundiais de suicídio cresceram 60 por cento.

No estudo, Patton e Paul Moran, do Instituto de Psiquiatria do King's College, de Londres, acompanharam entre 1992 e 2008 uma amostra de jovens com idades em torno de 15 a 29 anos, no Estado australiano de Victoria. 

De 1.802 pessoas que responderam ao questionário quando adolescentes, 149, ou 8 por cento, relataram autolesões. Entre as meninas o índice subia a 10 por cento; entre rapazes, caía a 6.

Moran disse que os principais fatores para o problema parecem ser uma combinação de alterações hormonais durante a puberdade, mudanças cerebrais na metade da adolescência - com o desenvolvimento do córtex pré-frontal, associado ao planejamento, à expressão da personalidade e à moderação - e fatores ambientais, como a pressão dos colegas, dificuldades emocionais e tensões familiares.

Cortes e queimaduras eram as formas mais comuns de autolesões entre adolescentes, mas também apareceram casos de envenenamento, overdoses e pancadas.

Quando os participantes chegavam à idade adulta, no entanto, as taxas de autolesão caíam dramaticamente, e aos 29 anos menos de 1 por cento dos participantes relatavam fazer deliberadamente algo que lhes machucasse ou ameaçasse.


Por Kate Kelland





quarta-feira, 6 de abril de 2011

AUTOMUTILAÇÃO ou “CUTTING”



O QUE É AUTOMUTILAÇÃO?


O termo cutting é uma palavra inglesa que significa "cortando".
A automutilação ou cutting, é um grave transtorno do impulso, que consiste no ato de ferir-se ou prejudicar a si mesmo propositalmente.
Neste transtorno, a pessoa pode bater-se, chicotear-se, cortar-se, queimar-se, puxar seu próprio cabelo, beliscar-se, tentar se estrangular, morder-se, apertar ou reabrir feridas (dermatotilexomania), arrancar os cabelos (tricotilomania), furar-se (com agulhas, arames, pregos, canetas, tesouras), ingerir agentes corrosivos ou alfinetes, ou ainda, tomar doses excessivas de medicamentos e drogas (overdose), ou àlcool, sem a intenção de cometer suicidio.
Tricotilomania
A auto-lesão entre indivíduos com distúrbios de desenvolvimento (por ex., autismo, retardamento, inteligência limítrofe) envolve, geralmente, ações relativamente simples, tais como bater a própria cabeça contra a parede, esmurrar superfícies duras e morder-se. É comum desenvolverem alotriofagia ou alotriogeusia que corresponde a um transtorno onde o afetado engole substâncias/objetos que não são comestíveis.
O portador deste transtorno não se dá conta que, neste ato, coloca seriamente em risco sua vida.
Tais ações podem ser sinal de que algo está errado...
Fica muito claro que estas pessoas precisam de ajuda, e não de criticas.


PORQUE A PESSOA SE AUTOMUTILA?


De maneira geral, a pessoa se automutila devido a uma incapacidade de lidar com seus próprios sentimentos. O individuo que pratica automutilação não busca dor fisica. Ao contrário do que a maioria pensa, eles não são masoquistas, e nem tão pouco buscam apenas chamar a atenção (mesmo porque, a maioria tenta esconder as cicatrizes causadas por este ato).
Na verdade, o que a pessoa procura, é o alivio de sua angústia, de seu desespero e de sua dor... Eles vêem no cutting a saida mais rápida para este intenso sofrimento.


O automutilador tende a ter grandes dificuldades para se expressar verbal ou emocionalmente, portanto, não consegue falar publicamente sobre suas angustias nem chorar diante de outras pessoas. Há relatos de pessoas que com o passar do tempo sentem-se incapazes de chorar até mesmo quando estão sozinhas. Essa dificuldade de expressão acaba, em muitos casos, sendo um forte fator que desencadeia o comportamento automutilador. Alguns indivíduos afirmam que escrever (textos, poemas, contos, músicas, etc.) lhes parece de grande ajuda, como uma forma de expressar suas emoções, o que não conseguem fazer de outras formas. Desse modo, a necessidade de se automutilar diminui significantemente.
Não possui amor próprio e usualmente define a sí mesmo como sendo "um lixo humano, uma criatura insuficiente e fracassada, que não tem direito de conviver com os demais". Desse modo, alguns tendem a se afastar da família e dos amigos, buscando poupa-los do mal, que presumem ser, a sua presença. Com o tempo, se vêem executando sozinhos, atividades que costumava fazer em grupo.
Geralmente afirma automutilar-se com a intenção de interromper uma dor emocional muito forte. A maioria alega se tratar "de uma espécie de troca, da dor física pela dor emocional", afirmam. Muitos praticantes da automutilação dizem que “é melhor sentir a dor fisica, do que a dor emocional”.
Além disso, vários automutiladores se ferem também como uma forma de punição, por se sentirem insuficientes e fracassados, "Um lixo humano", como eles próprio se definem. Dentre outras razões. Todos eles descrevem o desejo automutilador como algo incontrolável, como um vício do qual, ainda que queiram, não conseguem se libertar.
Logo após uma crise, em que o automutilador fere o próprio corpo ou apresenta qualquer outro comportamento auto-agressivo, o sentimento seguinte é geralmente de alivio, satisfação, culpabilidade, entre outros. 
Muitas vezes o indivíduo chora muito após o ato, e a sensação de fracassso é extrema.
Possui extrema dificuldade em falar sobre si mesmo, principalmente sobre a doença.
Alguns abandonam qualquer tipo de atividade em que seja necessária a exibição do corpo, como ir a praia ou a um clube, para que suas feridas e cicatrizes permaneçam ocultas e, desse modo, não tenham que falar sobre o problema nem corram o risco de serem impedidos de praticá-lo.
Não possui qualquer expectativa com relação ao seu futuro ou à vida de maneira geral, pois se considera incapaz de alcançar qualquer coisa realmente boa.
Quando o indivíduo consegue superar a doença, o primeiro problema com que se depara é a sensação de vazio. Muitos ex-automutiladores afirmam que se tornaram incapazes de qualquer sentimento comum ao ser humano, como ódio, raiva, indignação, medo, insegurança, alegria, amor, etc. Sentem-se apáticos e desinteressados com relação a qualquer assunto que os rodeie. "Se alguém morresse do meu lado, eu não daria a mínima", afirmam. Essa sensação tem sido observada em vários indivíduos, porém, não se estende por muito tempo. Ainda que tenha alguma recaída, o ex-automutilador tende a sentir cada vez menos falta do comportamento auto-agressivo e, com o tempo, o abandona completamente.
A automutilação é muitas vezes praticado por portadores de patologias psiquiátricas, em especial, os portadores de transtorno de personalidade Borderline, depressão, bipolaridade, anorexia, bulimia e esquizofrenia.
É imperativo que a família e amigos ajude a pessoa que se auto-mutila, começando pela reconstrução da sua auto-estima, restabelecendo os laços afetivos que muitas vezes, até por distracção, podem ter sido negligenciados e por isso mesmo ter proporcionado o isolamento e sentimento de abandono do adolescente. 
Atividades familiares de lazer, incentivar o jovem a participar em atividades lúdicas e esportivas que sejam do seu agrado e lhe permitam desenvolver os seus dons, mas sobretudo o acompanhamento médico e psicológico é fundamental para a cura, podendo frequentar uma terapia de grupo até com os pais / cônjuges.


COMO POSSO IDENTIFICAR SE ALGUÉM PASSA POR ESTE PROBLEMA?

É importante observar indícios de automutilação. Muitas vezes, temos dentro de nossa própria casa um ente que realiza “cutting”, porém, como esta não é uma atitude que se espera, geralmente os indícios passam desapercebidos.
As pessoas que se automutilam sentem vergonha e medo de revelar este comportamento. Isso faz com que eles tentem esconder, e procuram ferir-se solitariamente, em locais onde não podem ser observadas. Elas sabem que este comportamento não é bem aceito pelas pessoas.
Sendo assim, você poderá desconfiar que alguém apresenta automutilação quando essa pessoa:
a) Costuma usar roupas de mangas longas, mesmo no verão, com altas temperaturas;
b) Apresentam várias cicatrizes ou lesões repetidas e tem dificuldade para explicá-las;
c) Isola-se evitando situações onde seu corpo pode ser exposto, como praia ou piscina;
Vale lembrar que estas pessoas podem apresentar sintomas depressivos e de fobia social associados.

EXISTE TRATAMENTO?

Sim. O tratamento consiste em psicoterapia e medicações que se mostrem eficazes nos casos de automutilação.
Não existe uma medicação especifica para o tratamento deste transtorno, contudo, são utilizados medicamentos que aliviem os sintomas depressivos e ansiosos, que podem colaborar para a manutenção do comportamento. 
Há também medicações que são usadas para diminuir a impulsividade e que ajudam o paciente a resistir a vontade de se machucar, caso esta apareça.
A melhor forma de auxiliar a pessoa que pratica a automutilação é encaminha-la a um especialista, observar o possível aparecimento de novas lesões, e estimula-la a falar sobre seus sentimentos e/ou problemas.
Contudo, a própria pessoa deve tentar se ajudar!
Como diria minha avó, "mente vazia é oficina do Diabo", portanto, é preciso estar atento a possiveis recaídas no decorrer do tratamento.
Isso não é algo tão simples como parece, afinal, o cutting torna-se o "crack ou a cocaína" da pessoa que o pratica.
Durante o tratamento, a pessoa precisa esquivar-se de pensamentos de dor, numa luta diária contra recaidas. É preciso atenção também, pois nem sempre uma recaida ocorre por algum motivo catastrófico, como a morte de um ente querido, por exemplo. Uma simples discussão com um namorado ou amigo pode desencadear uma dor e desespero tamanho, que leva a pessoa a se cortar desesperadamente!
É necessário disciplina, apoio e tratamento adequado. Viver um dia de cada vez, dar um pequeno passo a cada dia. Um dia sem se automutilar deve ser visto como uma grande vitória! E caso haja uma recaída, paciência!
Realmente é um processo de reabilitação (como no abuso de àlcool e drogas). Podem ocorrer
verdadeiras "crises de abstinência" e também recaídas, contudo, não significa que perdeu-se a guerra, mas sim, uma batalha.


ONDE POSSO PROCURAR AJUDA?

É importante buscar ajuda de profissionais da área de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras.
Seria mais indicado profissional com experiência no tratamento de pacientes com automutilação, pois estes pacientes apresentam algumas peculiaridades.
Caso estes profissionais não estejam disponíveis, já que são raros os profissionais com experiência em automutilação, seria indicado profissional com experiência em transtornos do impulso.
Em São Paulo, o Ambulatório Integrado de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas (IPq- HCFMUSP), oferece tratamento gratuito e especializado para este e outros transtornos do impulso.
Você poderá entrar em contato pelos fones: : 11 3069-7805, e para maiores informações, poderá acessar o site: www.amiti.com.br


SUGESTÃO DE LEITURA:


To Write Love On Her Arms (Para Escrever Amor Nos Braços Dela) : http://www.twloha.com/vision
O TWLOHA é um movimento sem fins lucrativos dedicado a apresentar esperança e fornecer ajuda para pessoas que lutam contra depressão, vícios, auto-mutilação e suicídio. Tudo começou com a tentativa de suicídio de uma menina que, após fazer cortes em seu pulso, escreveu "fuck up" (foda-se) nos braços com seu próprio sangue. Cinco dias após esse incidente, houve a decisão de reverter esse quadro e nasceu a campanha To Write Love On Her Arms, que é uma campanha a favor do amor e da vida, apoiada por várias pessoas, incluindo muitos famosos.  
Infelizmente o site é todo em inglês, mas você podera usar a função "traduzir página" do Google ou utilizar algum tradutor on line, caso não tenha fluência no idioma.


THE BUTTERFLY PROJECT SELF-HARM:

O projeto Borboleta para auto-mutiladores foi criado por praticantes de cutting que sentiam necessidade em parar, e consideravam-se prontos para enfrentar o desafio.
A idéia é relativamente simples, e pode ser mais um aliado na luta contra a prática de auto-mutilação, já que a idéia é fazer com que a pessoa treine / desenvolva seu auto-controle.

As regras são:

1) Quando você sente que quer cortar ou se ferir, com uma caneta ou marcador, desenhe uma borboleta em seu braço ou mão (ou em qualquer outra parte do corpo onde você quer infligir dor / auto ferir);

2) Nomeie a borboleta com o nome de um ente querido ou alguém que realmente quer que você obtenha melhora;

3) Você deve deixar a borboleta desaparecer naturalmente. Não esfregue a parte desenhada, ou aplique produtos que possam remover o desenho;

4) Se você cortar a parte do corpo onde há a borboleta, medite que você a matou.
Se você não cortar, ela continua viva e livre! (lembre-se que esta borboleta representa alguém importante para você);

5) Se você tiver mais de uma borboleta, e se cortar (ou machucar de alguma forma) você matou a todas elas;

6) Outra pessoa pode desenhá-las em você. Estas borboletas são "extra especiais"
Cuide bem delas!

7) Se em algum momento você perder o controle, e se cortar, não desista. Recomece todo o programa.

8) Mesmo se você não se corte, sinta-se livre para desenhar uma borboleta para mostrar seu apoio a uma pessoa que pratica o cutting. Se você fizer isso, e nomeá-la, estará ajudando-a(o) a treinar o auto-controle.



FONTES:
Giusti, J.S. Cinco coisas que você deve saber sobre Automutilação. Internet. In O que eu tenho? Disponivel em: http://oqueeutenho.uol.com.br/portal/2009/09/04/5-coisas-que-voce-deve-saber-sobre-automutilacao . Acesso em abril de 2011.
Self-harm. Internet. In BBC Online . BBC News, 2004. Disponivel em: http://news.bbc.co.uk/1/hi/health/medical_notes/4067129.stm Acesso em abril de 2011.
Automutilação. Internet. In Wikipédia, 2011. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Automutila%C3%A7%C3%A3o Acesso em abril de 2011.