quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

RELATO DE UMA BIPOLAR: AUTOCONHECIMENTO É A BASE!



O autoconhecimento é fundamental para que o Bipolar alcance o equilibrio.
Conhecendo-se melhor e percebendo que o próprio comportamento está tornando-se diferente, é possivel tomar as medidas necessárias para superar as fases difíceis de forma mais tranquila.
O apoio de familiares e pessoas próximas também é muito importante neste momento. 
Veja o relato de M*:

"Certa vez me chamaram de "bipolar com defeito", isso devido ao fato de eu ter plena consciência das atitudes bipolares.
Na verdade, não tenho uma fórmula perfeita para conviver com a doença, mas fui muito observadora quanto aos sintomas. Prestei muita atenção para que eles não me pegassem de surpresa.
Só descobri que era bipolar aos 40 anos. Estava cansada de ser a chata, a maluca, a anormal dentro de uma família quase perfeita. Após descobrir que meu comportamento anormal tinha um por que, fiquei mais tranqüila; agora era uma questão de aprender a lidar com a situação.
No fundo eu gosto das fases eufóricas, me sinto o máximo! Mas infelizmente a nossa mente não pode suportar tanta velocidade e pressão, e além disso, tem as outras pessoas com as quais somos obrigados a conviver, e que acabamos destratando. Se não fosse isso, eu acharia fantástico ser sempre eufórica! Se não fosse o mal que causo aos outros, estaria quase bem...
Odeio mesmo é a fase depressiva. É nela que mora o perigo. Tenho mais cuidado com esta parte. É aí que fico mal e sou capaz de fazer muitas bobagens contra mim mesma... Cuido-me muito para evitar a depressão, mas existem momentos em que a situação é inevitável, não posso fugir dela. 

Evito situações que me deixarão para baixo, e se não posso fugir, faço uso de um remédio que foi perfeito para o meu caso (o CITTÁ®).
Claro que cada caso é um caso... Já vi todos os tipos de bipolares, do mais eufórico (como é o meu caso), até o mais depressivo, e não sei qual o pior,
mas acho que os que têm depressões muito constantes sofrem mais. 
Não tenho muitos episódios de depressão, mas os poucos que tive me custaram 4 UTIs e muito medo, pois eu sabia que, ao contrário do que as pessoas comentavam, eu não queria aparecer;  eu realmente seria capaz de acabar comigo, e isso é triste e assustador. Na euforia eu jamais faria nada contra mim, mas na depressão... Então me dediquei a cuidar mais desta área, foi difícil, mas hoje reconheço um início de depressão a milhas de distância, e isso me dá condição de cuidar para que ela passe longe de mim. Protejo-me da forma que puder.
Você me pergunta o que eu faço, e como percebo algo diferente?
Noto que estou eufórica em exagero quando começo a ser grossa e pavio curto com as pessoas mais chegadas a mim. Nada passa, tudo irrita e é motivo de reclamações e até estupidez. As pessoas me parecem lerdas demais e isso me irrita. Neste momento sento e aviso aos que convivem comigo: “Cuidado, não sei o que há de errado, mas algo me tirou da estabilidade. Posso ser agressiva, e se vocês não estão com paciência hoje, fiquem longe de mim.”
Não parece, mas funciona muito bem. Quanto menos atritos, mais rápido melhoramos.
No confronto metemos os pés pelas mãos, e depois temos dificuldade de voltar atrás, por isso expor nossa fraqueza é uma forma eficiente de não agravar, e até reverter uma crise eufórica.
Quanto à depressão, começo sentindo vontade de chorar por coisas tolas, penso coisas estranhas, começo a resolver a vida como se estivesse me despedindo dela...
Alerta máximo aí! Tenho verdadeiro pavor dessa coisa... Uso remédio mesmo! Não consigo consertar sozinha."


*M. é casada, mãe de dois filhos e reside no Rio de Janeiro. 

13 comentários:

rcm disse...

O autoconhecimento é uma ferramenta fundamental no tratamento do TBH. Em algumas situações a medicação e a terapia não são suficientes para conter uma crise. Ao perceber uma mudança de estado é importante procurar o médico para verificar se existe necessidade de ajuste de medicação ou talvez mudança no enfoque da terapia. Uma atitude positiva realizada no inicio da crise evita muitos incovenientes para a pessoa e os que convivem com ela.O problema é que muita das vezes não procuramos ajuda, e esperamos a melhora como num passe de mágica.

Allana Duarte disse...

Excelênte colocação.
Realmente o autoconhecimento é importante não só para identificar quando o humor está sofrendo oscilações, mas também para saber quando é o melhor momento de notificar o médico (inclusive para avaliar a atual prescrição medicamentosa).
As vezes a normalização no estado de humor não vem mesmo em um "passe de mágica", e saber buscar ajuda no momento certo faz toda a diferença.

Obrigada pelo comentário.

Abraços!

rodrigo disse...

TEnho um namorado que e esquizofrenico e gostaria de saber como me relacionar com ele sem q prejudique ele e eu ..... Estou passando por um momento difícil pois amo demais mas ele as vezes tem seu alto e seu baixo as vezes quer ficar isolado , como posso reverte essa situação

Leticia Lacerda disse...

Oi, Rodrigo!
Creio que você mencionou que seu namorado é esquizofrênico por engano, mas acho que na verdade é Bipolaridade, não? Caso esteja enganada, corrija-me.
Primeiramente, parabéns pela sua força. Muitas pessoas se afastam quando descobrem que estão se envolvendo com um portador de patologia psiquiátrica qualquer que seja, por puro preconceito e falta de conhecimento...
O primeiro passo é estudar ao máximo sobre o TAB. Quanto mais você souber, melhor saberá lidar com as particularidades desta patologia.
Não digo que seu desafio é fácil, mas é possivel, desde que você saiba como agir e tenha paciência e muito amor (o que pelo visto, você já tem).
Além do conhecimento, é preciso saber reconhecer cada uma das fases para auxiliá-lo. É importante notar quando ele está ficando deprimido ou muito "acelerado" (episódio de mania) para auxiliá-lo da melhor forma, e até para não se ferir com certas atitudes dele. Entenda que o TAB é um transtorno de humor, e não de afeto, ou seja, se ele estiver passando por um episódio maniaco e disser que você não é bom o suficiente para ele, não significa que você é inferior, e sim, que ele passa por episódio de MANIA, e nesta fase é comum que eles acreditem ser mais rápidos, ageis e inteligentes que a média.
Por outro lado, se ele estiver passando por um episódio depressivo e desejar total isolamento, não significa que ele te rejeita, e sim que ele não está bem...
Saber como agir e entendê-lo, evitará que você se fira.
Incentive-o a seguir o tratamento, ainda que ele esteja sentindo-se bem. O TAB tem um indice elevado de abandono da terapia, o que pode ser muito perigoso...
Tenha sempre em sua mente a tríade: conhecimento, paciência e amor...

Desejo boa sorte a vocês, e que sejam muito felizes!!!!
Um forte abraço.

Anônimo disse...

Eu me sinto exatamente como você M., sem tirar nem por. Tenho 28 anos e descobri a bipolaridade este ano, quer dizer já fui diagnostica com esquizofrenia, tive surtos de sair totalmente da realidade e me arrependo até hoje de não ter seguindo minha realidade inventada. Hoje, exatamente hoje, estou em crise depressiva. Decidi parar com a medicação por conta própria, sem acompanhamentos médicos há 5 meses, penso constantemente em tomar todos remédios do meu estoque e simplesmente acabar com esses ciclos malucos. Eu só me pergunto pq tem q ser assim comigo? O que eu fiz para ter isto, pq não tenho o direito de ser como todo mundo? Minha vida nunca pára e ao mesmo tempo não anda. Não me casei, nenhum relacionamento dura tempo o suficiente para isto, não pude ser mãe, morro de medo de fazer mal a um filho e jamais me perdoaria. Isto é vida? Por isto q morrer não seria nada pra mim. Não tenho dó de quem ficaria, eles se sentiriam aliviados, ninguém gosta de ser mal tradado.

Anônimo disse...

Sou bipolar e na verdade eu mesmo não achava meu comportamento normal. Era como se eu não suportasse mais ficar comigo, se é que podem me entender. Desta maneira procurei um especialista que me afirmou tratar-se de depressão bipolar. Tenho 34 anos dois divorcios varias frustrações uma familia (mãe e irmã) que não é obrigada a aturar minhas crises de manias e depressão, quando na verdade nem mesmo eu não me suporto, uma namorada carente e maravilhosa que não consegue entender que quando eu quero ficar só é para não explodir com ninguén, aí o que mais ela faz é ligar de cinco em cinco minutos porguntando por que eu estou evitando falar com ela (ela sabe que sou bipolar). Eu acabo explodindo. Sei que vou acabar perdendo essa namorada e no meio disso tudo tem o meu freio que minha filha. Ainda estou vivo por ela. Tenho muito desejo de morre não aguento mais estar condenado a bipolaridade. Porém não acho justo com minha filha e enquanto isso vivo condenado a vida.

Anônimo disse...

Descobri que sou bipolar há um mês, aos 32 anos, mas sofro com minhas crises desde sempre.
Quando fui diagnosticada fiquei impactada e ao mesmo tempo decepcionada, sempre me tratei com psiquiatra e se soubesse antes talvez não teria passado por situações que passei.
Gostaria de indicação de sites ou leituras para me aprofundar e me conhecer mais, já que meus sintomas se misturam: agressividade e raiva, junto com tristeza pelo que causo nas pessoas sem conseguir me controlar.
Desde já agradeço

Marcia disse...

Embora tenha sido diagnósticada há algum tempo somente agora comecei a reconhecer-me como bipolar.
E estou sofrendo muito !!! Muito sozinha! Arrumo encrencas que poderiam ser evitadas, não sei como evitar. Estou medicada mas muito perdida.

Anônimo disse...

Tenho 48 anos e fui diagnosticado há 2 como bipolar. Tive uma depressão que durou 14 meses enão tinha anti-depressivo que desse conta, só com várias sessões de terapia saí do buraco. O psicologo literalmente me deu uma dura, dizendo qnão aceitava após tantas sessões q eu não mudasse de estado. Não me pergunte porque, mas funcionou. Realmente, a fase depressiva é a mais dificil da gente aguentar. Nem sentimentos eu tinha, eu vegetava e fazia o q os outros me diziam pra fazer. Já a fase eufórica, eta fase boa, só que os outros é q não nos aguentam. Ai vai relacionamento e trabalho tudo pro espaço. Já parei de tomar medicação e voltei a beber. Quebrei a cara, tava todo feliz mas levei murro na cara do sogro e fui afastado do trabalho. Tem neguinho seco pra me aposentar por invalidez.
O chato é aquelas pessoas no trabalho q depositaram confiança em vc, propiciando o tratamento, e vc trair esta confiança recaindo. Sei que uma penca de bipolares faz, alias se não fizessem não seriam bp, então sinto-me parte do grupo. Todavia, ninguém é obrigado a nos tolerar eternamente. É chato ouvir q sujeito Brasil afora, no caso do meu trabalho, tem restrição a minha pessoa.
Se fiz o q fiz é por q sou bipolar, exatamente por isto recebi o diagnóstico. Felizmente, no meu trabalho temos um programa de reinserção funcional e não é como meu trabalho anterior na Embrapa, onde fui ttratado como criminoso e tive assistência de um psiquiatra arrogante e incapaz, que me diagnosticou erroneamente.
Sei como a gente se sente qdo é diagnosticado, é horrível, já pensei assim, não aceitando apesar de aderir ao tratamento por imposição profissional. Pior pra mim, a fase eufórica é fantástica, todavia vivemos em sociedade e em algum grau temos q ser pautados pelos outros. Cheguei a ter uma fazenda, ai era bão sô, suzim no mei do mato. Aí vieram as dívidas e problemas trabalhistas e a fazenda foi penhorada.
Hoje sou feliz por ter sido diagnósticado bipolar. Na Emmbrapa fui tratado como bandido justamente por um diagnóstico errado, que não justificava meus atos.
Negar-se bipolar é semelhante ao negro que não se aceitando como tal não houvesse lutado pelos seus direitos. Mandela seria apenas um 'criolinho' deprimido ou drogado num gueto da África doo Sul e o apartheid ainda vigoraria.
Li o livro 'vencendo a bipolaridade', recomendo. Vi q aquele monte de sintomas depressivos e maníacos eu tive, mais do que aceitar eu me reconheci como bipolar.
Hoje não tenho aquela euforia, em compensação não tenho depressão que é o preço daquele excesso de energia. Ora, vc consome mais energia do q tem, aí cai no seu cheque especial emocional, a depressão. Quem já teve sabe quão extorssivos são os juros emocionais.
Depois de perder trabalho, ter fazenda penhorada, hoje agradeço a Deus por saber quem sou: bipolar mesmo sô.

Aline 22 disse...

Tenho 22 anos anos e fui diagnosticada como bipolar há uns 3 meses,muitas vezes não consigo controlar meus impulsos,e as insegurança,o medo,ideações suicidas são frenquêntes minha vida.Minha família muitas vezes não me entende,me namorado muito paciente sofre com minha arrogância e eu sofro depois que virei a vida de todo mundo ao avesso.

murielle disse...

tenho 19 anos e descobri meu transtorno de humor eu nunca sofri com depressao sempre euforica , mas de um mês pra ca entrei numa crise horrivel de choro minha família não sabia o que fazer eu não sabia o motivo de tanta dor um buraco no peito,um nó na barriga e a unica solução que eu via era a morte tomei remedio e fui parar no hospital onde passei momentos de dor por que tive q fazer lavagem de estomago e vomitei a noite inteira sangue,e embora as vezes eu parecesse bem depois voltava tudo novamente tentei corta meu pulso e so Deus sabe o quanto pedi socorro,pedi ajuda e eu cheguei a perder a esperança em mim mesma mas eu to me superando eu perdi muita coisa pela minha crise de ansiedade , pala impasciencia mas eu quero recuperar cada uma

Amadeu Epifânio disse...
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Anônimo disse...

Bom, creio que as duas fases eufórica e depressiva me fazem mal. Quando estou na euforia, faço coisas impulsivas como sair de um emprego, quando estou na depressão, paro de fazer as coisas mais básicas como comer direito, fazer exercícios e tudo o mais. Ambos me prejudicam muito e eu não sabia que isso não era normal até que eu li um livro sobre o assunto e me identifiquei. Hoje eu sei que as decisões que tomo não são certas, principalmente porque é o 'eu' eufórico que está tomando e ele é um aventureiro inconsequente por si só. Também tenho muita dificuldade em manter relacionamentos e trabalho, pois sou inconstante. Agora que sei que o que faço não é normal e me faz mal, vou ver o que posso fazer para minimizar as causas e efeitos.